Estacionamentos
Geração privada de estacionamentos
Com o sucessivo aumento da frota de automóveis, seja em São Paulo, como em outras cidades, agrava-se o conflito entre a trânsito e o estacionamento nas vias públicas.
O estacionamento na via retira espaço para o trânsito de veículos, provocando redução de velocidade e congestionamentos.
A tendência do Poder Público é reduzir as vagas na via pública para melhorar a fluidez. Mas o resultado ao longo do tempo pode ser a degradação econômica e física das áreas com baixa disponibilidade de estacionamentos.
Há posições conflitantes em relação a essa redução, principalmente em áreas de maior concentração de escritórios, comércio, lazer ou outras atividades empregadoras e atratoras de público. Vale para o centro tradicional, como para importantes subcentros regionais.
Uma das posições assume que com a maior dificuldade de encontrar vagas, os motoristas preferirão usar o transporte coletivo do que chegar ao seu destino de carro.
A outra posição, contrapõe que com a dificuldade, as pessoas tendem a mudar de lugar, sem abandonar o transporte privado. Citam o caso real do centro de São Paulo, que sofreu um processo de degradação.
O problema principal estaria no comportamentos dos clientes. Os compradores das lojas preferem fazer as compras em shopping centers - ainda que com preços mais elevados - porque encontrariam maior facilidade de estacionamento. Os clientes de serviços, como de saúde, ou advocacia passariam da reclamação para a mudança do prestador.
Não seria por outro motivo que grandes escritórios de advocacia também abandonaram o centro.
Para compensar a redução de vagas na via pública, o Poder Público busca alternativas de gerar vagas privadas. O que tem a resistência dos radicais contra qualquer aumento de vagas, trazendo ainda argumentos ambientais, em relação ao centro da cidade.
Duas são as alternativas usuais para áreas densamente ocupadas: garagens subterrâneas ou edifícios garagens.
Em ambos os casos a viabilidade econômica é duvidosa.
No caso das garagens subterrâneas, no subsolo de áreas públicas não haveria o custo do terreno, porém a necessidade de escavações mais fundas e interferências de redes públicas, pode tornar o custo mais oneroso.
Já os edifícios garagens tem que arcar com o custo do terreno, o que, dependendo da localidade pode pesar fortemente no custo do investimento.
A menos de subsídios públicos, a alternativa é o uso misto nos novos edifícios.
Ou seja, nos novos edificios ou nas suas reformas deverão gerar um volume de vagas superiores às suas necessidades, oferecendo vagas públicas para o atendimento aos arredores.
Nos edificios residenciais ou comerciais a vaga é uma condição de venda do imóvel. Essa não é vendida em separado, mas como parte do apartamento ou do escritório, incorporando-se ao seu custo e ao seu valor.
Para o incorporador o que interessa é que as vagas sejam um diferencial competitivo que faça com que o valor da unidade vendida, com a incorporação do custo da construção da vaga, no conjunto da garagem, tenha um valor superior ao custo.
Para isso é necessário ampliar a relação entre vaga e unidade vendida. A alternativa para a sua viabilização econômica é que as vagas acima do mínimo exigido não sejam computadas como área construida para efeito dos coeficientes de uso e ocupação do solo.
Com isso as novas edificações oferecerão, além do que seria considerado o necessário para o seu uso vagas adicionais, como estacionamentos pagos, para o público, em geral. Funcionando como substituição das vagas que sejam retiradas da via pública.
Escrito por Jorge Hori às 19h24
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